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Lugar de Criança é na Cozinha ou no Master Chef? Minhas primeiras impressões

Ontem foi o primeiro dia do reality show Master Chef Júnior Brasil, transmitido pela Band. Talvez ainda fosse cedo para comentar pois o programa está apenas começando, mas não me segurei, quis dividir com vocês minhas primeiras impresões.

Vamos começar pelos pontos que considerei positivos: é muito bom ver crianças (ou pré-adolescentes, na maioria dos casos) conhecendo e lidando com a maior naturalidade com os mais diversos ingredientes e sabores. Aquele monte de alimento diferente não pareceu assustar nem um pouco a criançada!

Outro ponto que gostei é que os “mini chefs” foram cozinhar comida de verdade, comida que, infelizmente, é chamada de comida de adulto.  Criança pode comer, ou melhor, deve ter a oportunidade de comer de tudo. Não é porque elas são menores, que devem ser privados à uma alimentação pouco variada ou pouco temperada.

Em relação à técnica, é muito legal ver pela TV o que eu via com meus próprios olhos quando dava aulas de culinária: elas são capazes de praticamente tudo que um adulto pode fazer. Algumas com um pouco a mais ou um pouco a menos de coordenação e jeito – tal como nós, adultos. Eu adorei ver isto porque sei que tem muitos pais que impedem seus filhos de cozinharem por considerar que lugar de criança NÃO é na cozinha.

Muita gente se impressionou, mas vale lembrar: quantas mulheres não tiveram (ou têm) que cozinhar para famílias inteiras (as suas ou de seus “patrões”) ainda quando muito pequenas? Não por escolha, mas por necessidade!

O refinamento dos pratos me incomodou um pouco, praticamente nenhuma preparação você encontra na sua mesa de jantar ou em um restaurante  por quilo, mas acho que tenho que aceitar que trata-se de um programa de gastronomia. O problema é que eles eram tão complexos e “luxuosos”, que passa-se a impressão de que ser um bom cozinheiro é sinônimo de fazer “javali e alho confit”. De certo modo acho que este “alto nível” acaba assustando e afastando a maioria das pessoas da cozinha.

Mas o que realmente me incomodou é que eu não sei dizer se aquelas crianças realmente gostam de cozinhar. As crianças no programa aparecem extremamente tensas e pressionadas. Aparentemente (até o primeiro programa) não se vê um interesse genuíno na cozinha, mas sim em serem aceitas e agradarem os júris e seus pais.

Eu sei que estes são os moldes do programa, mas competição não tem, ou não deveria ter, nada a ver com cozinha. Cozinhar deveria ser um momento de compartilhamento e, principalmente, de desfrute. Estes dois aspectos infelizmente acho que não veremos no Masterchef Junior.